quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Nada mais do que datas

"– Pra que servem as datas?
– Para nada.
– E por que as pessoas insistem em guarda-las na memória?
– Seres humanos são idiotas, eles são os melhores do universo em cultivar as próprias decepções. É bom que você aprenda isso desde cedo."

Desde o começo eu sabia que essas coisas poderiam acontecer. Porque a vida é muito dinâmica pra você guardar um dia todo mês. Já tem que lembrar da data de aniversário da mãe, do pai, dos irmãos. Tem que lembrar o dia do seu próprio aniversário! Como se não bastasse, tem que lembrar a data do aniversário das pessoas que você gosta: amigos, parentes, romances... Entretanto, mesmo assim a gente se liga em datas como: o primeiro beijo, o pedido de namoro, a primeira vez... Depois vem dia do noivado, dia do casamento, nascimento dos filhos, etc, etc, etc...

O mais comum deveria ser se a gente só ficasse feliz de lembrar que fazem "x" anos do acontecimento "y". Que nos satisfizessemos com as lembranças que temos daquela data. Contudo, não é assim que acontece.

Temos o costume de amanhecer o tal dia "x" esperando que o outro também esteja esperando algo desse dia. Ficamos frustradas quando esquecem nosso aniversário, fazemos birra se ele não lembra do ano de namoro e ele dorme no sofá se esquecer o dia do casamento!

E por que isso acontece?

Sinceramente, eu não sei. Mas tenho algumas suspeitas.
1. Trata-se de mais uma vaidade do ego. Precisamos de alguém que fale o que desejamos ouvir. Que aquela noite foi especial, que aquele acontecimento foi marcante, que você é única no meio dessas 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta;
2. É só mais uma ilusão saudosista que tenta reviver os mesmos sentimento que existiram em "x" .
Faz parte da eterna insatisfação humana.
3. Somos egoístas. Assim como na primeira hipótese, nós pensamos que queremos dividir algo com o outro, mas não, queremos que ele queiria nos agradar. Precisamos estar no centro do pensamento do outro, das lembranças do outro, do presente do outro.

No meu caso, foi um pouco dos três. É claro que eu estava bem intencionada. Lembrei dos 16 meses assim que datei a primeira folha de hoje, todavia, já muito pronta pra fugir desse mimimi, não falei nada. Eu não queria que datas fossem importantes, lembra? Depois listei mentalmente as outras datas importantes do mês. 14/11, 23/11... e me convenci que se ele lembrasse da ultima, tava tudo OK.

O ruim mesmo foi passar o dia tão longe. Ver de relance e trocar uns "eu te amo" enrolados, falar rápido demais no telefone, falar no whatsapp até se chatear...

Depois disso, de quando sua consciência já ta cansada, quando você já ficou com ciume do dia dele ter sido tao cheio que ele nem teve tempo de te mandar um oi (mesmo tendo te ligado, numa ligação que a essa altura você vai achar o defeito), você começa a maquinar sobre o desleixo dele com vocês, com a relação.

Talvez ele nem seja tão vilão assim, mas foi assim que nos ensinaram, não foi? Que tem um certo e um errado. Que provavelmente você é a certa. Aí você aceita a carapuça de moça apaixonada que não é valorizada e começa o mimimi. Ele não lembra de nada, ele não se importa com nada, ele nem sabia que dia era hoje, ele não me ama.

Não. Não sejamos assim. Nós somos as únicas responsáveis pelas expectativas que colocamos na vida. As pessoas já têm os seus próprios forninhos pra segurar e, principalmente por ama-las, nós temos que engolir o mimimi, erguer a cabeça e, mais uma vez recordar tudo de bom que se passou de "x" até aqui. Além de, dar mais uma chance pro caboco: "mas se ele esquecer meu aniversário, ele vai se ver comigo!". 

(per)seguidores

No Google+