quinta-feira, 19 de maio de 2011

A dúvida

"A dúvida é o principio da sabedoria."
Aristóteles 
dúvida 
(derivação regressiva de duvidar) 
s. f.
1. Falta de convencimento.
2. Dificuldade em acreditar.
3. Suspeita.
4. Receio.
5. Objeção.
6. Ponto não decidido ou que se trata de resolver.
7. Crença vacilante.
8. Ceticismo!.
9. Bras. Questão, disputa.

Como já avisou nosso amigo dicionário dúvida é substantivo FEMININO, ou seja, o Toddynho das mulheres: A companheira de aventuras. Claro que não é privilégio feminino ser possuidor da dúvida, é só porque os homens costumam dizer que nós sempre somos indecisas.

Às vezes eu paro pra pensar nesse lance de ter dúvidas, de está sempre incerto, e me vêm à cabeça diversas ideias contraditórias.

Por um lado, eu gosto de ter dúvidas, inquietudes e incertezas. Acho que é impossível ter certeza de tudo, acho que a dúvida é a peça chave para que você não estacione, que você continue buscando respostas para si e para suas crenças.

"De todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida." Bertolt Brecht

Contudo, ela também tem o seu lado negativo. Ela me deixa aflita, ela dificulta o meu sono, não me ajuda a lidar com a ilusão, quase anula a certeza do erro, é sinônimo de dor, ainda que essa dor não seja totalmente ruim... ,  e principalmente, é amiga íntima do medo e da timidez. "E na cabeça a dúvida e o medo são os amigos que vão me manter são." Cazuza

"Para que se estabeleça a dúvida em geral é necessária uma noção de realidade do fato em que existe a suspeita, e isto pode adiar a decisão de ações relevantes ao fato pois podem estar incorretas ou incompletas."

Está em "estado de dúvida", pra mim, tem uma relação especial com a pessoa que eu venho escolhendo me tornar, está em dúvida é reavaliar o que eu sou, no que eu creio, o que eu julgo, é me reavaliar e consequentemente me reformular. "A dúvida sintetiza os dois primeiros passos da experiência filosófica: Estranhamento e Questionamento."

Este "estado de dúvida" vem marcar um ponto muito forte em mim, onde eu aceito a filosofia na minha vida, onde eu a identifico em pequenas coisas e onde está inquietação vai realmente fazendo parte de mim, ou como ouvi uma vez: "você se acostuma", o que eu achei humanamente impossível na época. Nunca imaginei ter reflexões tão profundas e subjetivas antes de dormir; encontrar dualidade em tudo, em cada pensamento que me acrescenta algo real e imaginário, bom ou ruim, simples e complexo.

"Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no fato de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões." Bertrand Russell

Não me considerando mais inteligente ou melhor do que ninguém, mas refletindo sobre a situação eu fico cada vez mais convencida, isso mesmo, quem é detentor de dúvidas também constrói certezas!, que ser possuidor da dúvida é sinônimo de se encontrar em estado de movimento, é antagônico a estagnação.

"A mãe que fez a dúvida deu vida a certeza. O tempo há de mostrar o mundo se transformar." Nando Reis.

Acho que é bom é pensar, tentar descobrir o porquê, e mesmo sem saber, gostar do que se sente. A vida é louca, e louco mesmo é ter coragem de ser tão insano quanto a gente sempre sonhou em ser e nunca foi… É buscar a certeza, porque toda dúvida está atrás de uma resposta, para o que se sente.

Que tenhamos mais dúvidas, que duvidemos de nós, do os outros, do que é tradicional, do que é novo, do que é imposto! Duvidem até mesmo desse texto! Busque em si, suas indagações, reflita sobre a maneira como lida com elas e "Certamente saberás que o melhor momento da vida é quando a dúvida te arrebata e te pede pra ser o acrobata da decisão." Moska


"É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos". Orson Welles

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Outro por Dentro

"'Aquele ali tem outro por dentro.' Ela disse isto com tanta amargura na voz que o ambiente tornou-se gélido. Não era um comentário, era uma sentença. O cara tinha outro por dentro. Quem estaria escondido em seu corpo? Um alien? O demo? Sem dúvida, algum cafajeste.

Certas expressões nascem carregadas de preconceito e só levamos em conta seu lado pejorativo. Se alguém diz que você tem outro por dentro, está dizendo que você é mascarado, desonesto, que representa um papel que não é totalmente verdadeiro. Porém, pra variar, acho que a questão merece ser encarada com mais flexibilidade. Você, eu e a população mundial – trilhões no planeta – também temos outros por dentro, e não somos mascarados nem desonestos: somos humanos.

Onde foi parar a nossa autenticidade? Segue exatamente onde está. Somos autênticos batalhadores, autênticos cidadãos do bem, porém esta é a versão oficial, é a propaganda que divulgamos para o mercado externo, o nosso melhor. Somos verdadeiramente pessoas maravilhosas – ou, ao menos, pessoas muito bem intencionadas. Pagamos os impostos em dia, somos cordiais, lembramos dos aniversários dos amigos, não compactuamos com a brutalidade dos dias e telefonamos para nossas avós para lhes aliviar a solidão. Mas há outros em nós. Há vários. Há todos aqueles que foram abafados, que não servem aos nossos objetivos, todos aqueles com que, muitas vezes, nem simpatizamos, mas que existem. Seguem sendo nós, ainda que não batizados e sem firma reconhecida em cartório.

Na cama de um hospital, há em nós alguém saudável. Ao vencermos um campeonato, há em nós um fracassado. Apaixonados, há em nós um cético. Ao saltar de pára-quedas, há em nós alguém que teme. No êxtase, há em nós um melancólico. Ao nos desresponsabilizarmos sobre nosso destino, outro lá dentro de nós assume a direção. Não estamos sós.

Há numa Maria uma Sheila, há num Celso um João, há numa Beatriz uma Sônia, e numa Verônica uma Verinha. Há em todas nós uma Leila Diniz, como já cantou Rita Lee. E sou capaz de apostar que há uma Rita Lee em varias beatas.

Por que isso seria falsificação? Há em mim um Woody Allen, uma Marília Gabriela, uma Lya Luft, um Nelson Motta, uma Madre Tereza e uma Rita Cadilac, e sou eu mesma, íntegra e inteira. Quantos rapazes cordiais não se transformam em homens das cavernas quando calçam uma chuteira e entram em campo? Quantas mulheres singelas não viram competitivas e agressivas numa mesa de canastra? Hitler tinha um músico sensível dentro dele. Pinochet traz um pai de família guardado no peito. Nenhum prejuízo para nossa avaliação: seguimos sabendo quem eles são. E quem somos."

Martha Medeiros

sábado, 7 de maio de 2011

Reatificação

Todo mundo tem direito de dizer o que quiser. A liberdade de expressão tá aí pra isso. Mas a questão é, ao proclamarmos palavras, somos responsáveis por elas. A muitos dias atrás eu escrevi o post O que está acontecendo?, onde eu proclamei muitas palavras, explicando e tentando decifrar tudo que sentia no momento. Tudo que escrevi foi real, fruto de emoções e vivências que me sufocavam. Hoje, vim reavaliar algumas das palavras que falei, afinal, foram ditas por mim  e eu tenho total direito de voltar atrás em relação a elas.

"...  não tem a agenda-de-cada-dia esse ano então, ..."
Pois é, acabei ganhando uma agenda esse ano! \o Meu querido amigo bereu Leo me deu uma agenda! Eu não conto nela tudo que acontece no meu dia, só registros importantes. ;)


"... chegaram ao cúmulo de quase me forçar a sair. Será que ninguém parou pra pensar que eu só queria um tempo longe, longe de toda a obrigação com o exterior?"

Esse é um ponto importante e só agora consegui enxergar o outro lado: a minha família estava preocupada comigo, queria me ver bem, não queria me ver na frente do computador - que oferece perigos [fala da pessoa de 99 anos que vive dentro de mim] -, queria que eu deixasse essa mania de misantropia - palavra que deixou minha família com abuso :P -  e fosse viver! Viver por tanta gente dedica a mim carinho, amor, atenção. Pensa em mim, faz planos e eu simplesmente me dou ao luxo de corresponder quando quero.

"...você "tem que fazer" porque a sociedade te pede. Pra Putaquepariu a sociedade e as leis dela! A sociedade só mefode, só me obriga e só me limita, por que então eu tenho que dá ouvidos a ela?! Por que a gente se acostuma a viver como foi criado e passa isso adiante? Por que devemos responder aos desejos sociais se eles tão pouco se lixando se aquilo me satisfaz?! Talvez sejam indagações egoístas e mesquinhas, mas por que a gente não pode tentar se concertar antes de ter que encarar tudo que te deixa em cacos? E se é em vão ou não, não é do interesse social. Se eu perco meu tempo, ou não, muito menos então, deixe-me viver, porque experiências alheias não me fazem crescer."
Foi a coisa mais ridícula que eu escrevi e eu me envergonho. Me envergonho exatamente por ter sido o que eu recrimino, o egoísmo. Eu não posso ser alheia à sociedade, por mais que eu queira. Eu vivo nela, eu sou responsável pelo que acontece nela e com ela. Se algo não me satisfaz eu não devo virar as costas, devo mudar, agir, ir atrás para que seja diferente. Diferente do que eu preguei anteriormente, não devo ser indiferente e me isolar, é por pensamentos iguais aos meus que a nossa vida tá do jeito que tá. Que sejamos mais solidários, menos egoístas e mesquinhos, que saibamos ser verdadeiramente sábios para lidar com as questões do dia-a-dia, porque como já diz o povo das Ciências Humanas e Sociais "lidar com gente é difícil", ou seja, nós somos o logaritmo de cada dia para muita gente, que com paciência, tolerância e amor vão tentando nos resolver.

Acho que eu continuo sem entender bem o que aconteceu, mas de uma coisa eu sei, eu consigo e me sinto bem reconhecendo os meus erros - e espero o mesmo dos outros.

(per)seguidores

No Google+