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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Aproveitando a escalada

Faço terapia há cinco anos. Às vezes nem parece que faz todo esse tempo que eu tiro uma hora, das cento e sessenta e oito que uma semana tem, para ter um olhar cuidadoso sobre mim mesma. Matematicamente falando, isso não é lá “grande coisa”, mas tem feito um diferencial considerável na minha vida.

Durante todo esse tempo eu passei por diversos altos e baixos. Não apenas porque é realmente complicado esse processo de estar em terapia, reconhecer seus gatilhos ou ainda perceber que algo lá atrás é o responsável pelo seu comportamento atual, mas também porque é assim a caminhada da nossa vida. Durante o percurso que é estar vivo, ou sobreviver, dependendo da ótica, temos momentos de escaladas seguidos de caminhadas rumo ao cume com tranquilidade, bem como descidas íngremes em direção ao “vale das bads”.

Percebi que ao longo desses anos, sempre que eu pensava sobre aquele espaço, onde eu podia aprofundar mais e mais sobre quem eu sou, entender meus sentimentos e comportamentos - por vezes confusos -, sempre surgiam demandas carregadas de sentimentos ruins, “coisas que me incomodavam” durante a semana que se seguiu.

Não que isso seja um problema, afinal aquele lugar é um espaço de livre julgamento, onde a escuta ativa possibilita que o paciente encontre na sua própria fala elementos que ajudam a lidar com a situação. No entanto, fiquei condicionada a isso, a levar àquele espaço insatisfações. Sempre que acontecia uma coisa que me chateava durante a semana, eu já guardava aquilo para contar na terapia. Quando a semana não tinha nenhum problema digno de Casos de Família eu passava o caminho da ida, no ônibus, pensando sobre coisas que me incomodavam nas minhas relações ou o quanto eu me sentia confusa ou angustiada sobre algo, mesmo que não fosse aquilo que tirasse a minha quietude naquele momento.

Esse ano, ao dar início a mais um processo de análise comportamental, percebi que durante meus percursos de “descer a ladeira” eu estava compartilhando a rota somente com o terapeuta. Não vinha falando com meus amigos sobre minhas chateações, tanto por elas serem frequentes como por sentir que ninguém entendia realmente como eu me sentia, tendo apenas meu namorado no papel de ouvinte (o problema era quando a treta era com ele, pois não me restava saída a não ser esperar mais uma semana até a consulta psicológica, chegando a lidar sozinha com alguns conflitos durante os hiatos da clínica, torcendo para não acabar no “vale das bads”, afinal seria muito mais difícil sair de lá).

Tentando alterar esse comportamento, que não vinha trazendo benefícios, mas sem buscar mudanças que desrespeitassem a forma que eu me sentia quanto a escuta dos meus amigos, meu terapeuta me propôs a seguinte atividade: escrever. No primeiro momento eu deveria planejar conversas que eu gostaria de ter com pessoas com quem eu dividi situações que me incomodaram. Para esse planejamento eu tentei ser mais empática, comigo e com a pessoa, o que era desafiador, afinal eu estava chateada.

Tracei os seguintes pontos: Como me sinto em relação ao causo; Motivos que legitimam minha chateação; Exercendo a empatia, onde eu tento ver o lado da pessoa na situação; Coisas que quero abordar na conversa e como fazer isso assertivamente e, por último, Como eu estava me sentindo antes do exercício, a fim de comparar como eu estava me sentindo antes da atividade e como me sinto ao concluí-la. Essa abordagem foi muito bacana, porque escrever libertou meus rancores e me ajudou a lidar de uma forma melhor com minha impulsividade, característica que atrasa meu filtro e prejudica minha assertividade.

Apesar do caderninho do Planejamento Psicológico, como eu denominei esse método terapêutico, eu continuei com uns incômodos pertinentes, então meu terapeuta (eu queira ser amiga dele) me sugeriu um diário. Isso rolou na mesma semana que a Jout Jout (também queria ser amiga dela) lançou um vídeo sobre ter um diário, que não necessariamente precisa ser uma atividade diária, mas que você escreve a livre demanda.

E assim nasceu meu diário. Para mim é uma experiência muito positiva, porque passei minha vida tendo agendas e gosto desses registros, mas também porque eu realmente me sinto melhor quando escrevo (chego a passar três horas escrevendo sem parar), foi por isso que criei esse blog, não é? Além disso, esse “diário-não-diário”, tira de mim a culpa de só escrever quando estou mal (não sei vocês, mas a bad é muito inspiradora para mim, os melhores textos que escrevi na vida foi quando eu estava triste ou chateada), quando eu estou feliz não sou tão produtiva nessa área. Também pesava o fato de eu estar sempre registrando meus momentos ruins, deixando parecer que minha vida era um apanhado de sofrimento. Isso acontecia porque quando havia dias bons eu estava feliz demais para registrá-los, então nada ou muito pouco sobre eles era escrito. Dessa forma, sem essa obrigação de historiar tudo, eu estava livre da culpa, que tanto me sufoca.

Passados diversos dias caminhando rumo ao vale, até encontrá-lo e ser engolida por ele, parecia até que eu tinha caído em uma cratera no vale, se e que isso era possível, e que eu era mais triste do que feliz. Nesse dia, em que eu chorei até ter dificuldade de formar frases, meu terapeuta me ajudou a refletir sobre a seguinte questão: a nossa vida é cheia de altos e baixos, de dias felizes e dias tristes. Até os dias felizes tem momentos tristes ou chatos e até mesmo dos dias tristes é possível colher algo de positivo. Nós não somos o problema, nós temos problemas, mas eles não nos definem.

Foi a partir dessa reflexão que eu me vi recomeçando os dias de escalada. Os últimos quinze dias, desde então, tem sido uma soma de dias bons. Dá até um medo, da queda a la vídeo cassetadas que o futuro prepara, mas não posso deixar de subir por conta disso, não é? Sei que é irresponsável dizer que isso foi o suficiente para que eu saísse do vale rumo ao cume. Uma série de fatores contribuiu para isso, como um olhar mais empático sobre quem me cerca; a tentativa de ser assertiva nas minhas relações, uma rede de apoio que fez eu querer enxergar o lado positivo da história e a leveza que cada dia de alegria traz.

Não vou mentir, tive dias de desânimo, dias que não acreditei na minha capacidade, dias que me sabotei... todas esses elementos que são protagonistas de dias ruins, entretanto, a cada vez que eu me sentia querendo descer essa montanha eu me obrigava a enxergar quais eram os elementos positivos que se escondiam nas pequenos cantos daquele caos. E não é que eu sempre encontrei?

Criar esse hábito, de procurar motivos para subir ao invés de descer a “montanha da vida” me possibilitou novas experiências nesses cinco anos de terapia. Semana passada foi a primeira vez que não chorei durante uma sessão e mais tarde, quando eu acordar e for para mais uma análise, eu não tenho faço ideia do que falar, porque aparentemente, eu consegui passar uma semana inteira sem ser uma pessoa triste, chateada, magoada ou conflituosa.

Com certeza esse não é o melhor texto que escrevi na vida, mas é um dos raros que escrevo estando feliz. Que essa seja o marco de uma escrita motivada pelo bem-estar e felicidade.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Seja gentil com você mesma assim como é com as pessoas próximas #100detoxEDM

No dia 28/08/17 a página feminista Empodere Duas Mulheres lançou um desafio chamado 100 Dias do Detox (e intoxicação do amor). O objetivo desse desafio é priorizar coisas que nós podemos fazer por nós mesmas, de modo que ao nos desintoxicarmos das coisas negativas nós passássemos a direcionar a si mesmas mais amor e carinho. Uma campanha destinada ao amor próprio.

Inspirada nesse desafio resolvi tentar movimentar este blog, utilizando os temas dos desafios como inspiração para a reflexão. No perfil das meninas no Instagram (@empodereduasmulheres), é possível acompanhar diariamente os posts com várias questões (atualmente já foram feitas 77 postagens do desafio). Por aqui as coisas vão acontecer ao ritmo que precisam para serem processadas, ou seja vamos nos deliciar com dor e a delícia do nosso próprio movimento reflexivo.


O primeiro dia do desafio traz a seguinte reflexão: Seja gentil com você mesma assim como você é com as pessoas próximas (1/100)



“Você já percebeu como é fácil identificar palavras ruins quando dizemos para outras pessoas, mas não prestamos atenção quando usamos palavras duras com nós mesmas? Se a sua amiga te contasse sobre um fracasso ou frustração, você seria dura com ela em um momento de sensibilidade? As palavras são muito poderosas! Quando pensar algo sobre si mesma e diga isso em voz alta - ou até mesmo escreva. Se não for bom, pare de pensar isso. Reverta para algo positivo. Se você não tem coragem de dizer coisas ruins para alguém, não diga a si mesma. Pense em coisas que te fazem bem, algo que gosta em si mesma ou que se orgulhe de ter feito hoje - que seja ter conseguido sair de casa, ou estar feliz por ter regado uma planta. Hoje eu vim andando para o trabalho e fiquei feliz com essa meta que me coloquei, porque me faz bem caminhar e olhar a paisagem escutando uma música que eu gosto. Não seja dura com você. Você tem que conviver 100% do seu dia consigo mesma, não faça disso um peso a si. Você merece carinho e cuidado - principalmente de você para si. Trate-se bem, assim como gostaria que os outros te tratassem.”
Ser gentil consigo mesma é um processo de autocuidado. Nos ensinam a ser muito críticas e severas, a não cometer erros, a não demonstrar fraqueza ao reconhece-los, a buscar sempre mais. No entanto, este “sempre mais” vem repleto de responsabilidade que muitas vezes não podemos suportar. A partir do momento em que passamos a conhecer realmente a carga que suportamos diariamente carregar, através de um processo de autoaceitação, é que podemos dar espaço a autoempatia, a grande responsável por direcionar a si mesma seu olhar generoso.

Durante muito tempo fui portadora de uma culpa enorme. Essa culpa sempre cresceu porque eu me desenvolvi em um espaço de muitas críticas. Cresci com elas ao meu redor e me moldei dentro do seguinte raciocínio: "já que tenho uma autocritica severa, eu também posso criticar o que me incomoda no outro". Este pensamento, fruto de um comportamento defensivo, se mostrou eficaz por muito tempo, além de aparentar uma ideia de justiça que me posicionava em um local protegido em meio às minhas relações.

Somente com um pouco mais de maturidade e ajuda psicológica eu pude perceber que apesar desta prática fazer “todo sentido”, ela não era a mais adequada. Reconhecer meus erros não me dá o direito de apontar as falhas do outro. E não há nada de seguro nisso, ao contrário, encontrei realmente conforto ao ser a pessoa que oferece colo, acolhimento, carinho, cuidado e atenção.

Contudo, as coisas da nossa infância são bem difíceis de se desfazer e, vez ou outra, a severidade da autocritica acontecia, mesmo que fosse para cobrar o outro para ser também amparo emocional (o que gera uma outra reflexão que em breve referenciarei aqui).

Então, para não adotar um novo problema quando você acaba de “se livrar” do antigo, a questão é ser para si mesma aquilo que espera do outro. É ter paciência consigo mesma, é acolher seus sentimentos e a forma que você lida com eles. Ah, não esqueça de ter orgulho da pessoa que você tem se tornado, pois você passou por muita coisa para chegar até aqui e só você sabe como foi lutar cada uma dessas batalhas.

E, se as coisas continuam te incomodando e você ainda tem dificuldade em lidar com tudo isso, take easy! (pegue leve), tudo tem um tempo certo para acontecer - graças a Deus -, e as coisas não estão todas sob o nosso controle e responsabilidade. Aceite quem você é, a gente só pode mudar quando paramos de tentar combater quem somos e começamos a lidar consigo mesmas.

Qual a primeira prática que podemos adotar para começarmos a aceitar quem somos, sendo gentis conosco como procuramos ser com quem temos afeto? Vamos exercer o autocuidado? É a forma como nos amamos que mostramos ao outro como eles devem nos amar.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Mensagens Atemporais

Em 2012 eu li um livro chamado A Mulher do Viajante no Tempo, da autora americana Audrey Niffenegger. O livro trata do romance entre Henry e Clare, mas mais do que isso fala sobre viagem no tempo. “Henry sofre de um distúrbio genético raro. Seu relógio biológico dá uma guinada para frente ou para trás e ele então é capaz de viajar no tempo. As viagens são causadas por acontecimentos estressantes, os deslocamentos são imprevisíveis e Henry é incapaz de controlá-los. Neste livro, a autora mostra com muita sensibilidade, inteligência e bom humor que o verdadeiro amor é capaz de transpor todas as barreiras - inclusive a mais implacável de todas: o tempo.”.

Esse livro se tornou um dos meus favoritos e a temática de “viagem no tempo” se tornou uma das minhas categorias prediletas no que se refere a leitura. Mesmo que os personagens não sejam viajantes no tempo, como o Henry, muito me agrada quando o autor transita entre o presente e passado como acontece, por exemplo, em Um Dia, do autor britânico David Nicholls.

Percebi que desde então passei a acreditar na teoria que diz que o passado, o presente e o futuro são simultâneos. Eu não sou a única pessoa que pensa assim. Esta ideia é defendida por Bradford Skow, professor de filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que considera que a ideia de que o tempo flui como um rio não é correta.

Infelizmente eu não tenho conhecimento suficiente para defender essa teoria, também não sou ingênua o suficiente para acreditar que como Henry outras pessoas tenham esse distúrbio genético tão raro ou sejam tão rápidas quanto o Flash para transitar entre o passado, o presente e o futuro. No entanto, creio que por termos conhecimento disto no futuro e devido a simultaneidade do tempo, nós, de alguma forma, sabemos disso hoje.

Como não podemos interferir no curso do tempo, por saber que alterações ocorridas em qualquer das épocas altera o nosso destino (vejam o filme Os Agentes do Destino, é muito bom!), nós arrumamos uma maneira de burlar o sistema do tempo sem maiores alterações. Isso se dá pelas anotações, fotos, lembranças que guardamos de terminados períodos.

Sempre gostei de escrever mensagens a mim mesma que transpusessem a barreira do tempo, escrevia do meu eu de hoje para o meu eu de daqui a um mês ou daqui a um ano. Incrivelmente essas coisas sempre funcionavam, essas mensagens me faziam sentir melhor ou me davam uma perspectiva de que a mudança sempre vem, independente da fase em que estamos.

Sou a pessoa, dentre os meus amigos, que mais tem diários/agendas, que mais revisa fotos antigas, acho que estou sempre buscando me conectar com o meu eu de outro espaço temporal simultâneo.

De forma carinhosa eu tentei fazer o mesmo com alguém especial, escrevendo mensagens atemporais que deveriam ser abertas em determinados momentos, mas que não impediriam de elas serem relidas sempre que necessário. Não sei se a pessoa chegou a abrir todas as mensagens ou se todas as horas de se ler as mensagens já se sucederam, mas confesso que criei uma expectativa sobre isso, afinal, apesar de ter escrito algo para um terceiro, o meu eu, do momento em que a mensagem é aberta, também é atingido pelas palavras que por mim foram escritas em outro tempo, em outra circunstância.

Hoje eu estava me sentindo meio cabisbaixa e achando que sozinha eu não conseguiria mudar tal condição. Um amigo me aconselhou ouvir músicas que trouxessem sentimentos bons, então, abrindo a sessão Neste Dia, do Facebook, eu encontrei diversas opções deixadas por mim mesma para o meu eu de hoje. Sem dúvidas, a mensagem escolhida pra Jéssica de 2017 foi deixada pela Jéssica de 2011, com a canção Muita Calma Nessa Hora, do Leoni.

Achei que a mensagem me serviu muito, afinal costumo tomar decisões baseadas em impulso e tenho pelo menos desejado fazer diferente. Muita calma nessa hora, há um milhão de você passando por várias situações adversas simultaneamente, se você se concentrar bem, você pode se conectar com o(s) seu(s) outro(s) eu(s) e resolver duas questões com uma mensagem só.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pierrot, Colombina e Arlequim




Pierrot - Los Hermanos
O Pierrot apaixonado chora pelo amor da Colombina
E a sua sina chorar a ilusão em vão, em vão

E a Colombina só quer um amor
Que não encontra num braço qualquer
Essa menina não quer mais saber de mal-me-quer
Só do Pierrot, Pierrot
Pierrot, Pierrot, Pierrot, Pierrot... (3×)

O Pierrot apaixonado chora pelo amor da Colombina
E na esquina se mata a beber pra esquecer, pra esquecer

E o Pierrot só queria amar
E dar um basta a esta dor já sem fim
Mas Colombina trocou seu amor por Arlequim
E o Pierrot, chora!
E o Pierrot, chora!
E o Pierrot, chora!
Pierrot...

Tem uma comunidade no Orkut chamada ALHO (Analisando Los Hermanos Organizada). Andei dando uma olhada por lá, busco uma música que explique o que se passa nesse momento na minha vida.

Achei a análise de Pierrot, apesar de não ser a música escolhida, eu gostei muito quando a ouvi pela primeira vez. A letra deve ser baseada na Comédia Dell’arte, peças improvisadas que surgiram na Itália. Nesse tipo de peça os personagens são estereótipos exagerados. O Arlequim era o fanfarrão, esperto e trapaceiro. O Pierrot era o idealizador do amor, um clássico sonhador, ingênuo e romântico. Os dois eram apaixonados por Colombina, que era uma dama de companhia da corte e é caracterizada como uma moça linda e inteligente, de humor rápido e irônico, sempre envolvida em intrigas e fofocas. 
Ela amava os dois: no amante Arlequim a realização carnal e em Pierrot a delicadeza, a fantasia e o sonho de um amor verdadeiro. Colombina vive dividida entre o "amor carnal" e o "amor espiritual".

Pierrot e Colombina cresceram juntos e eram muito amigos. Pierrot se tornou padeiro e fazia pães e doces para alegrar a vida dos habitantes de sua cidadezinha e o coração de sua amada. Ele não tinha coragem de se declarar para Colombina, pois era muito tímido, e costumava escrever longas cartas de amor para sua amada. Porém não tinha coragem de enviá-las.
Um belo dia de verão aparece na cidade um alegre trovador chamado Arlequim, ele encanta a todos com suas histórias e canções. Colombina é seduzida e se apaixona por ele. Ela o segue deixando sua cidade e seu amigo Pierrot, que fica muito triste e deprimido.
Chega o inverno, e com ele as dificuldades para a sobrevivência. Arlequim e Colombina sofrem muito, e a moça sofre ainda mais. Em uma noite de inverno, ao contemplar a lua, a moça relembra seu amigo Pierrot e encontra uma carta com uma declaração de amor.
Ela fica emocionada e foge para retornar à sua pequena cidade e rever Pierrot. Os dois amigos se reencontram, se casam e vivem muito felizes juntos. Arlequim, com saudades de Colombina também retorna e para permanecer perto de sua amada fica amigo de Pierrot. Assim os três amigos vivem felizes para sempre em meio aos pães e doces deliciosos feitos por Pierrot.
COLOMBINA: Como te amo, Pierrot...
ARLEQUIM: E a mim, cujo desejo te abriu o coração com a chave do meu beijo? A tua alma era como a Bela Adormecida: o meu beijo a acordou para a glória da vida!
COLOMBINA: Como te amo, Arlequim!...
PIERROT: A incerteza que esvoaça desgraça muito mais do que a própria desgraça. Escolhe entre nós dois... Bendiremos os fados sabendo o que é feliz, entre dois desgraçados!
ARLEQUIM: Dize: Queres-me bem?
PIERROT: Fala: gostas de mim?
COLOMBINA: Eu amo-te, Pierrot... Desejo-te, Arlequim...
ARLEQUIM: A vida é singular! Bem ridícula, em suma... Uma só, ama dois... e dois amam só uma!...
COLOMBINA: Não! Não me compreendeis... Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor de todos dois... Hesitante, entre vós, o coração balanço... O teu beijo é tão quente Alerquim... O teu sonho é tão manso Pierrot... Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho! Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu... outro fala da terra! Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade... Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente, porque a história do amor pode escrever-se assim: Um sonho de Pierrot, um beijo de Alerquim!



Camelo utiliza de uma licença para o "fim da historia" visto que na dramatização Colombina ama os dois e fica meio dividida, já na música "a Colombina trocou seu amor por Arlequim e o Pierrot chora.". Acho que ele quis passar a mensagem de que o amante sonhador e bondoso sempre (ou pelo menos nesse caso especifico) é trocado pelo malandro e esperto. Ou ainda, analisando mais por alto, ele aborda supervalorização dos prazeres carnais em detrimento de emoções como, no caso, o amor.

Depois de ler toda a conclusão da canção, e de me aprofundar na bela história no blog do João e o pé-de-feijão, me peguei pensando qual dos três personagens está mais presente em mim: O Pierrot apaixonado e tristonho? A Colombina, presa entre amores diferentes e ainda assim amando ambos? O Alerquim, esperto, espaçoso, "compreensível"?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Se não quiser adoecer...

Pessoas, esse texto é do Dr. Dráuzio Varella e eu acho que ele me ajuda a dizer-vos o que se passa com essa pessoa que vos escreve... Farei pequenas pausas quando achar necessário e nelas estarão contidas coisas associadas a minha vida, ao meu cotidiano.
Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos"
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.
 - Pausa para um comentário informativo: Eu não costumo sair falando as coisas assim, a torto e a direito, mas eu detesto guardá-las, eu não gosto de guardar nada só pra mim, nem maravilhas - essas eu divido -  nem mágoas, nem raivas - essas eu descarto -; mas eu tenho gastrite, quando eu me estresso parece que queima uma coisa dentro do meu estômago, é horrível, por isso o mau humor se apodera logo de mim... também sinto dores lombares, mas diz minha mãe que é de ficar nessa cadeira do computador.
Na madrugada em que escrevi o post anterior, eu desabafei, conversei com a uma amiga e isso foi de grande ajuda. Partilhar sempre faz você melhorar e esse foi o primeiro passo para uma melhora considerável do meu humor. O segundo ponto crucial para meu "up" foi o Pimpona's Day, onde eu nem queria contar e acabei contando tudo. Falei muito e acabei me sentido melhor. ♥ Eu gosto de falar o que sinto.
Se não quiser adoecer - "Tome decisão"
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.
- Pausa para um comentário confessional: sou extremamente indecisa, tudo é motivo de dúvida para mim - até a cor em que eu ira escrever esse comentário, por exemplo -. Quando eu fico muito indecisa isso me deixa quase doente. Eu conheço a importância das decisões, até me acho muito resolvida, vez ou outra. Apesar da indecisão, quando resolvo o que fazer mergulho de cabeça na escolha feita. 
Outra coisa dificílima pra mim é abrir mão dos meus valores, sou apegada demais a eles e não estou pronta pra abrir mão do que construí.
Mais um agrave à minha gastrite e a explicação para minhas espinhas.
Se não quiser adoecer - "Busque soluções"
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.
- Pausa para um comentário reflexivo: Eu não me acho pessimista, mas acho que quando estou com algum problema o aumento, nem que seja só pra valorizar a história. Mal de quem gosta de contar o que sente e da plateia, que dá ouvidos, rsrsrs... Não sou de me lamentar, mas tenho um murmuro eterno na cabeça, até brinco que tenho um twitter dentro dela pra tá sempre murmurando...
Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.
- Pausa para um comentário confortável: Tá aí uma coisa que não me faz doente, não ligo a mínima pra aparência. Todo mundo quer preservar uma boa imagem, procura passar algo calmo, tranquilo, ninguém gosta de ficar por baixo, fato. Mas definitivamente preservar uma imagem criada por quem me vê, e consequentemente me julga, não é minha prioridade.
Se não quiser adoecer - "Aceite-se"
A rejeição de si próprio, a ausência de autoestima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
- Pausa para um comentário pessoal: acho que aceitar-se também não é um problema que tenho que enfrentar. Graças a Deus, sou segura de si, gosto de mim como sou, afinal, como não gostar de alguém que é tão vasto! rsrs Desculpe a ausência de modéstia, mas amor próprio é essencial, pra poder ser feliz, pra poder amar, pra poder fazer feliz! Que possamos nos amar mais e estar cada vez mais preparados para amar o próximo.
Se não quiser adoecer - "Confie"
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria laços profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.
- Pausa para um comentário carregado de alívio: este é um dos meus problemas, mas ao inverso. Eu confio nas pessoas, acho isso muito importante e, às vezes, acabo me machucando por confiar na pessoa errada. Confiança é algo que depositamos em alguém, um sentimento responsável pela partilha, que leva uma lasca do nosso coração com o outro. Eu fico feliz por ultimamente ter escolhido pessoas certas para depositar minha confiança e espero que com o tempo, eu possa receber os lucros desse investimento: amizades sinceras, carinho mútuo e respeito.
Se não quiser adoecer - "Não viva SEMPRE triste!"
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.
Que a tristeza seja uma breve passageira na nossa caminhada pela vida! "Don't horry, be happy "

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Lágrimas, decepções, desavenças, mágoas...

... você sai dividindo essas coisas com qualquer um? Conta facilmente porque está chateado, triste, amuado?
Eu não.
Quando eu tô assim, tipo: hoje, eu não falo fácil. Normalmente eu tento deixar um sorriso falso no rosto, respondo que tá tudo bem e fico ali, guardando aquilo pra mim ou pra quem "mereça".
É bem mais fácil distribuir sorrisos do que deixar que as lágrimas caiam fáceis...
Eu guardo minhas lágrimas, minhas queixas para quem eu amo, porque sei que continuaram a me amar depois disso. As lágrimas são tesouros, revelados somente pro mais próximos. Revelo-as pra vocês...
E eu tô assim, triste, chorosa, magoada. Não sei se é porque eu quero mais do que as pessoas podem me dar; não sei se é porque sei que vou repetir o mesmo erro do passado, mas insisto em continuar; não sei se é devido meu envolvimento com personagens do livro que estou lendo: O Morro dos Ventos Uivantes; não sei se é só uma TPMzinha...
mas tô triste, quero colo, ou não.

sábado, 28 de agosto de 2010

Tatuagens


Eu gosto de tatuagens, acho charmoso, interessante. Pra mim, marca as pessoas mais do que superficialmente, como parece, é algo bem mais do que um desenho eterno na pele.
Acredito que cada tatuagem, marca um período na vida de quem a tem desenhada no corpo.
Eu, particularmente, morro de vontade de ter uma, mas resisto, com pensamentos superficiais do tipo "quando eu for velha vai ser só uma mancha na minha pele enrugada..." Espero que quando chegar a hora certa eu desencane dessa bobagem e "caia pra dentro".

Outra coisa de tatuagem que chama a minha atenção é ver homens tatuados. Acho mega interessante, representa coragem, determinação, sentimento pelas coisas, personalidade forte... é claro que tô falando de tatuagens bem-feitas, não aquelas que parecem queimaduras ou são desenhos feios.

Eu ainda quero namorar um cara tatuado, que com certeza chocará minha família e que meu passatempo seja contornar os desenhos existentes dos seus braços...

domingo, 22 de agosto de 2010

apatia e indiferença

"O que é indiferença? Seria um desvio de comportamento, um costume, uma forma de sobrevivência, um mecanismo de defesa, de resistência, ou consequência do egoísmo e do medo? O fato é que todos nós, uns mais outros menos, somos indiferentes, 'passamos ao largo' de muitas coisas, realidades, fatos e pessoas, em algumas situações, até de nós mesmos.
A indiferença tem um poder devastador. Ela é a companheira doentia do dominador e opressor, também dos que preferem as desigualdades, a violência, o ódio e a morte. Os indiferentes, de uma forma ou de outra, ferem, rejeitam, excluem, matam. Está correta a conclusão: o contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença."
Talvez, as coisas estejam como estão por causa dessa indiferença, que sozinha já arrasa a sociedade. Mas acompanhada da apatia, a indiferença se torna uma mazela social.

A apatia leva ao comodismo, que nos cega para a realidade, nos faz ver um mundo "tão colorido" e nos torna míopes, não nos deixando perceber a desigualdade, o desemprego, a fome.

Além de alterar nossa percepção de enxergar o mundo, tanto a apatia quanto a indiferença têm a capacidade de nos paralisar. Elas não nos motiva à luta, nem se importam com a dor alheia. Estamos apáticos ao sentimento do outro e indiferentes em relação ao modo como o próximo vive.

Situações de indiferença e apatia podem se encontrar no mais amplo ao mais íntimo dos círculos/laços de convivências.

Pra mim, o grande mal da sociedade é a APATIA e a INDIFERENÇA. Seja ruim, seja cruel, mas não seja indiferente, abatido, inativo, desanimado, ocioso, preguiçoso, indolente, inerte, insensível, imparcial, frio, desinteressado. Seja até grosseiro, mas não seja desprendido, descuidado, desatento, afastado da forma como o outro está vivendo.




segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Por que é tão difícil DIZER "eu te amo?"

Tenho notado como é difícil dizer um "eu te amo" quando se ama de verdade ou quando se conhece realmente o amor. Não quero entrar aqui naquela questão da "banalização do amor": "Hoje em dia todos dizem amar todo mundo, qualquer sentimento de empatia entre pessoas é chamado amor", pra mim, não há nada mais broxante do que ler coisas desse tipo na internet, virou modinha. As pessoas não estão preocupadas com a "banalização" e sim em criticar quem faz, quem diz que ama.
Quero falar de como é difícil dizer "eu te amo", quando se gosta tanto de alguém a ponto de amá-la. 

Partindo do pressuposto de que amor significa:
1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem; 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro; 3. Inclinação ditada por laços de família. 4. Inclinação sexual forte por outra pessoa; 5. Afeição, amizade, simpatia.

Eu amo amar, acho que o amor é a palavra-chave da vida, como um carimbo aplicado pelo coração. Todo mundo ama, nem que seja a si mesmo. Dizem que não é preciso falar e sim demonstrar, mas já repararam como é gostoso, agradável saber que existe uma pessoa, entre os bilhões no mundo, que te ama?! Sim, isso é importante!

Antes de prosseguir, uma nota de esclarecimento: NESSE POST TRATAMOS DE AMORES SINCEROS, MESMO AQUELES "IMPOSSÍVEIS" OU QUE SE TRANSFORMARAM COM O TEMPO. O QUE IMPORTA É QUE TENHAM SIDO VERDADEIROS. NÃO SE REFERE AO "AMOR" RESPONSÁVEL PELO ENTROSAMENTO, INTERESSES OU COISA DO TIPO, ISSO MEU CARO, É CARISMA, NO MÁXIMO.

Então desde já, não vou especificar o termo amor, até porque, ainda que tenha cinco significados, todos estão relacionados a um único objetivo: doar-se, amar mais ao outro do que a si. Assim como fez o real significado de amor: Jesus ♥, Aquele que começou com os "lances dos carimbos".

Mas sim, retornemos a pergunta, sabe porque é difícil dizer que ama alguém? Porque palavras não são suficientes, porque quando se ama o coração fica dilatado, bobo e você sente o peso das palavras, fica com MEDO de desvalorizá-las.

Particularmente, eu gosto de dizer que amo, assim como gosto de dizer tudo o que sinto, por mais difícil que seja. Eu vivo cada um dos significados (não acredito que o amor se limite só a essas explicações, mas respeitemos nosso coleguinha Aurélio). Acredito no amor que liberta, que confia, que respeita. Que é bondade, que por mais que de alguma forma traga junto a dor, prefere senti-la do que proporcioná-la ao outro. Como já disse São Paulo na carta aos Coríntios: "O amor é paciente, o amor é prestativo, não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho, [...], não procura seu próprio interesse, [...], não guarda rancor. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo supera.".

Peço desculpa pelas vezes que amei mais a mim do que a vocês, é que ainda "estou aprendendo também ♪".

Mas deixo com vocês a pergunta bastante conhecida: "E hoje em dia, como é que se diz: 'eu te amo'?" (Renato Russo)

Como você diz? Por que é tão difícil de dizer?

Respostas são mutáveis, o amor é permanente.

Eu amo isso,

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