segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pierrot, Colombina e Arlequim




Pierrot - Los Hermanos
O Pierrot apaixonado chora pelo amor da Colombina
E a sua sina chorar a ilusão em vão, em vão

E a Colombina só quer um amor
Que não encontra num braço qualquer
Essa menina não quer mais saber de mal-me-quer
Só do Pierrot, Pierrot
Pierrot, Pierrot, Pierrot, Pierrot... (3×)

O Pierrot apaixonado chora pelo amor da Colombina
E na esquina se mata a beber pra esquecer, pra esquecer

E o Pierrot só queria amar
E dar um basta a esta dor já sem fim
Mas Colombina trocou seu amor por Arlequim
E o Pierrot, chora!
E o Pierrot, chora!
E o Pierrot, chora!
Pierrot...

Tem uma comunidade no Orkut chamada ALHO (Analisando Los Hermanos Organizada). Andei dando uma olhada por lá, busco uma música que explique o que se passa nesse momento na minha vida.

Achei a análise de Pierrot, apesar de não ser a música escolhida, eu gostei muito quando a ouvi pela primeira vez. A letra deve ser baseada na Comédia Dell’arte, peças improvisadas que surgiram na Itália. Nesse tipo de peça os personagens são estereótipos exagerados. O Arlequim era o fanfarrão, esperto e trapaceiro. O Pierrot era o idealizador do amor, um clássico sonhador, ingênuo e romântico. Os dois eram apaixonados por Colombina, que era uma dama de companhia da corte e é caracterizada como uma moça linda e inteligente, de humor rápido e irônico, sempre envolvida em intrigas e fofocas. 
Ela amava os dois: no amante Arlequim a realização carnal e em Pierrot a delicadeza, a fantasia e o sonho de um amor verdadeiro. Colombina vive dividida entre o "amor carnal" e o "amor espiritual".

Pierrot e Colombina cresceram juntos e eram muito amigos. Pierrot se tornou padeiro e fazia pães e doces para alegrar a vida dos habitantes de sua cidadezinha e o coração de sua amada. Ele não tinha coragem de se declarar para Colombina, pois era muito tímido, e costumava escrever longas cartas de amor para sua amada. Porém não tinha coragem de enviá-las.
Um belo dia de verão aparece na cidade um alegre trovador chamado Arlequim, ele encanta a todos com suas histórias e canções. Colombina é seduzida e se apaixona por ele. Ela o segue deixando sua cidade e seu amigo Pierrot, que fica muito triste e deprimido.
Chega o inverno, e com ele as dificuldades para a sobrevivência. Arlequim e Colombina sofrem muito, e a moça sofre ainda mais. Em uma noite de inverno, ao contemplar a lua, a moça relembra seu amigo Pierrot e encontra uma carta com uma declaração de amor.
Ela fica emocionada e foge para retornar à sua pequena cidade e rever Pierrot. Os dois amigos se reencontram, se casam e vivem muito felizes juntos. Arlequim, com saudades de Colombina também retorna e para permanecer perto de sua amada fica amigo de Pierrot. Assim os três amigos vivem felizes para sempre em meio aos pães e doces deliciosos feitos por Pierrot.
COLOMBINA: Como te amo, Pierrot...
ARLEQUIM: E a mim, cujo desejo te abriu o coração com a chave do meu beijo? A tua alma era como a Bela Adormecida: o meu beijo a acordou para a glória da vida!
COLOMBINA: Como te amo, Arlequim!...
PIERROT: A incerteza que esvoaça desgraça muito mais do que a própria desgraça. Escolhe entre nós dois... Bendiremos os fados sabendo o que é feliz, entre dois desgraçados!
ARLEQUIM: Dize: Queres-me bem?
PIERROT: Fala: gostas de mim?
COLOMBINA: Eu amo-te, Pierrot... Desejo-te, Arlequim...
ARLEQUIM: A vida é singular! Bem ridícula, em suma... Uma só, ama dois... e dois amam só uma!...
COLOMBINA: Não! Não me compreendeis... Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor de todos dois... Hesitante, entre vós, o coração balanço... O teu beijo é tão quente Alerquim... O teu sonho é tão manso Pierrot... Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho! Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu... outro fala da terra! Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade... Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente, porque a história do amor pode escrever-se assim: Um sonho de Pierrot, um beijo de Alerquim!



Camelo utiliza de uma licença para o "fim da historia" visto que na dramatização Colombina ama os dois e fica meio dividida, já na música "a Colombina trocou seu amor por Arlequim e o Pierrot chora.". Acho que ele quis passar a mensagem de que o amante sonhador e bondoso sempre (ou pelo menos nesse caso especifico) é trocado pelo malandro e esperto. Ou ainda, analisando mais por alto, ele aborda supervalorização dos prazeres carnais em detrimento de emoções como, no caso, o amor.

Depois de ler toda a conclusão da canção, e de me aprofundar na bela história no blog do João e o pé-de-feijão, me peguei pensando qual dos três personagens está mais presente em mim: O Pierrot apaixonado e tristonho? A Colombina, presa entre amores diferentes e ainda assim amando ambos? O Alerquim, esperto, espaçoso, "compreensível"?

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