terça-feira, 21 de agosto de 2012

O Agosto, o agora

Quando ele a chamou para ir à sua casa, ela já sabia que aquilo tinha 50% de chance de acontecer.
Na verdade, se não fosse ali, logo seria em outro lugar. Por quê? Porque as coisas se encaminhavam pra isso, desde as conversas que haviam tido há um mês, desde a fuga de pijamas e todas as outras coisas que ela conhecia nele. 
Ela se deixou levar, afinal, não é só ele que anda perdido, carente e desajustado no mundo. Além disso, ela já tinha evitado tanto, durante todo o ano passado, durante os outros encontros, durante todos os momentos de fragilidade que dividiram desde o fim, há quatro anos. Chegara a hora de ceder.
O que aconteceu foi que ela se deixou levar pela sedução dele, que não teve muito trabalho, na verdade. Foi abraçando, beijando o ombro, a bochecha, a boca...
E ela beijou sua boca. Beijou e beijou. 
Coisa boa é redescobrir beijo, é como começar de novo, mesmo sabendo que ali, perdido entre línguas, dentes e saliva, alguma coisa é conhecida, algo já te fez bem, mesmo há um bom tempo. 
Coisa boa também é descobrir coisas novas, com pessoas velhas. A barba rala dele arranhava o rosto dela, e depois arranhou o peito, de um jeito muito bom, um jeito quente que fazia com que ela quisesse mantê-lo ali, por perto. Suas penas enroscadas, demonstrando proximidade e mais intimidade do que naqueles quatro "meses oficiais". Ele tinha mãos paciente nas horas certas e efusivas nas horas mais certas ainda...
Mas o melhor, foi o que veio depois, ela saiu dali com uma consciência amiga, tranquila, sem medo, ligada no presente, não no futuro, e acredite, nem no passado. 
Foi tudo um presente efêmero do agora.

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