segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sugestões para atravessar Agosto

"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé.
Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro e também certa "não-fé", para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. 
É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de dois mil e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições.
Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de documentários históricos a piadas; muitos CDs, de Mozart a Roberta Miranda; muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.
Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem pega ônibus lotado de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos ou precauções — úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de gente com Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Antônio Palocci em foto ou vídeo... Esquecê-los tão completamente quanto possível (santo zap!).
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. Pode ser Aline Moraes, Asthon Kutchen, Angelina Jolie, Capitão Jack Sparrow, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques — tudo isso ajuda a atravessar agosto.
Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer a guerra, o bullying, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, andar de patins, a arte das bandejas de asas de borboletas — coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo; evasão, escapismo assumidos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto digitar rápido o ponto final."

Caio Fernando Abreu [adaptado]

domingo, 31 de julho de 2011

Entrevista Ilustrada

Oi :B
Eu estava com saudade de escrever... Não tenho escrito muito ultimamente, tenho lido algumas coisas e contemplado diversas escritas, mas senti falta de escrever. Uma vez me disseram que a inspiração da escrita só vem nos momentos de fortes emoções, talvez seja mesmo...

Bom, eu vim matar a saudade do blog, porque só eu tenho saudade dele em atividade #foreveralone, e resolvi  fazer uma entrevista ilustrada, que vi no site das meninas do TPM Semanal. Lá, elas entrevistam um amigo, eu que sou #foreveralone², vou me auto-entrevistar #chupa!

Jéssica Maria, tem 19 anos e nasceu em Fortaleza. Mas o Google à conhece por @jekinha_jesk. Na UECE é conhecida como "Miguxaaa s2", e em casa como "preguiçosa". Dona do blog pessoal mais lido da internet, #ounão, o Nem Tão Simples Assim, Jéssica divide seu tempo entre comer, dormir, resolver problemas alheios e trollar na internet. Faz Serviço Social na UECE mas ainda teima em fazer Jornalismo na UFC. Não trabalha, só dá trabalho. 

Três curiosidades sobre ela:
1. Tem 8 irmãos,
2. Não sabe andar de bicicleta,
3. Ler os sms das pessoas ao pegar o celular delas.

Diga quem é você em 5 imagens:
   

Do que você tem medo?

O que te faz rir?

Atualmente, o que tem servido de expiração pra você?

O que você mais odeia no mundo?

Você já colecionou ou tentou colecionar alguma coisa?


Quem você chamaria de gênio?


Um lugar, um animal, uma banda, um filme, um livro, e uma cor:

O que você seria se não fosse o que é hoje?

O que você faria se você fosse um homem?

Uma imagem pra representar o inferno e outra para o paraíso:

Qual a última coisa que gostaria de fazer antes de morrer?

Essa sou eu.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

E se fosse realmente o último dia?

Andaram dizendo por ai que o mundo iria acabar. Uns disseram que a data havia sido prevista por um pastor americano, outros colocaram a culpa no Corinthians. Mas no fim das contas o mundo nem acabou.
Às vezes o mundo não acaba para a grande maioria, mas acaba pra alguém. Essa semana aconteceu uma fatalidade na minha rua e o mundo acabou para um homem e teve que reiniciar para a família dele.
Essa situação me fez refletir sobre o valor da vida, da nossa vida e da vida das pessoas que estão ao nosso lado... Me perguntei o que eu faria se soubesse quando seria o meu ultimo dia. Lembrei na hora do post da marihrocha, feito há muito tempo e da música do Lenine.

Logo de início consegui captar a mensagem principal dessa história toda: nem mesmo sabendo qual será o seu ultimo dia de vida você vai conseguir fazer o suficiente para que ele seja do jeito mais completo que exista, falo por mim, não consegui nem terminar essa hipótese.

Eu não saberia se iria à aula ver pela ultima vez minhas amigas, as pessoas que cativei e me deixei cativar. Se eu fosse até a UECE eu perderia um tempo enorme e não ficaria com a minha família. Mas aí vem outra questão, eu contaria ou não que este seria o meu ultimo dia de vida? Pensei em fazer uma "festinha de despedida", juntando todo mundo que eu amo, que fez parte da minha história, que eu queria que tivesse feito... mas eu detesto festas em que eu sou o centro das atenções, assim, eu não estaria feliz no meu ultimo dia de vida, o que não ia ser nem um pouco recomendável.

Talvez fosse mais fácil manter a agenda e os compromissos, mas com certeza a cabeça pesaria no travesseiro ao fim do dia, por ter sido mais uma vez displicente, também, seria o cúmulo da teimosia, né?!
Acho que seria pouco provável que eu fizesse uma loucura, como andar pelado na chuva, correr no meio da rua, entrar de roupa no mar, trepar sem camisinha, abrir a porta do hospício, trancar a da delegacia, dinamitar o carro dele, parar o tráfego e rir. Sou do tipo mais de conservar o que já tenho do que fazer o que não fiz. Me ligo muito mais nos silêncios, nos não-ditos, no arrependimento por sentimentos do que por adrenalina. Eu refletiria... Lembraria de todos os bons e maus momentos, pesaria-os e chegaria a mesma conclusão que eu chego agora: Os bons sobrepõe com toda certeza do mundo os maus.


Até penso que o problema pode ser comigo, a minha grande indecisão, o que acabaria fazendo do meu ultimo dia a coisa mais melancólica que existe. Eu passaria o dia tentando decidir e no fim do fim, me culparia se tivesse faltado algo.

Acho que é por isso que a gente nunca sabe qual o nosso ultimo dia, para que tenhamos o privilégio de tentar a cada manhã fazer cada dia único e inesquecível. Ou melhor, todos os dias são "o ultimo dia". Todos os dias o mundo acaba pra gente, e a gente deixa pra trás uma porção de coisas inacabadas, principalmente dizeres. Queria que pudéssemos viver a cada dia como se não houvesse amanhã, assim amaríamos mais, seríamos mais felizes, mais sinceros, mais atenciosos... E a gente pode, só o que nos impede  somos nós mesmos!

Uma menininha que sabe que o seu ultimo dia vem mais cedo do que deveria, fez uma lista de desejos, e eu tentei pensar em algumas coisas também, apesar de morrer de medo de fazer listas, já que eu quase nunca consigo cumprir o que estabeleço nelas, :
  • Brincar mais com o João Vitor e com a Sarah;
  • Conversar mais com o Saulo;
  • Conhecer mais os meus outros irmãos;
  • Doar medula óssea;
  • Ter uma conversa séria com meu pai;
  • Viajar à Recife;
  • Ser mais amiga de algumas pessoas que são bem legais virtualmente;
  • Escrever sobre o meu projeto de Relações de Sociabilidade Virtual;
  • Sentar com todas os meus amigos de núcleos diferentes e ver que eles têm muita coisa em comum além da minha amizade ou que eles não tem nada em comum e eu sou uma pessoa versátil;
  • Conversar sobre pensamentos, filosofar com pessoas diversas, tentando compreender a visão de cada uma delas;
  • Reconhecer as mudanças que adotei e fazer um novo teste de personalidade, pra saber quem eu sou agora e quem é a pessoa que eu estou construindo.
  • Ter uma foto com cada pessoa que considero importante na minha vida.
Como a pequena Alice, talvez eu não realize todos, mas com certeza tentarei. Ah, precisarei de mais de um "fim do mundo diário" para realizar cada um desses itens.


O que não tem fim sempre acaba assim.

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