segunda-feira, 13 de junho de 2011

E se fosse realmente o último dia?

Andaram dizendo por ai que o mundo iria acabar. Uns disseram que a data havia sido prevista por um pastor americano, outros colocaram a culpa no Corinthians. Mas no fim das contas o mundo nem acabou.
Às vezes o mundo não acaba para a grande maioria, mas acaba pra alguém. Essa semana aconteceu uma fatalidade na minha rua e o mundo acabou para um homem e teve que reiniciar para a família dele.
Essa situação me fez refletir sobre o valor da vida, da nossa vida e da vida das pessoas que estão ao nosso lado... Me perguntei o que eu faria se soubesse quando seria o meu ultimo dia. Lembrei na hora do post da marihrocha, feito há muito tempo e da música do Lenine.

Logo de início consegui captar a mensagem principal dessa história toda: nem mesmo sabendo qual será o seu ultimo dia de vida você vai conseguir fazer o suficiente para que ele seja do jeito mais completo que exista, falo por mim, não consegui nem terminar essa hipótese.

Eu não saberia se iria à aula ver pela ultima vez minhas amigas, as pessoas que cativei e me deixei cativar. Se eu fosse até a UECE eu perderia um tempo enorme e não ficaria com a minha família. Mas aí vem outra questão, eu contaria ou não que este seria o meu ultimo dia de vida? Pensei em fazer uma "festinha de despedida", juntando todo mundo que eu amo, que fez parte da minha história, que eu queria que tivesse feito... mas eu detesto festas em que eu sou o centro das atenções, assim, eu não estaria feliz no meu ultimo dia de vida, o que não ia ser nem um pouco recomendável.

Talvez fosse mais fácil manter a agenda e os compromissos, mas com certeza a cabeça pesaria no travesseiro ao fim do dia, por ter sido mais uma vez displicente, também, seria o cúmulo da teimosia, né?!
Acho que seria pouco provável que eu fizesse uma loucura, como andar pelado na chuva, correr no meio da rua, entrar de roupa no mar, trepar sem camisinha, abrir a porta do hospício, trancar a da delegacia, dinamitar o carro dele, parar o tráfego e rir. Sou do tipo mais de conservar o que já tenho do que fazer o que não fiz. Me ligo muito mais nos silêncios, nos não-ditos, no arrependimento por sentimentos do que por adrenalina. Eu refletiria... Lembraria de todos os bons e maus momentos, pesaria-os e chegaria a mesma conclusão que eu chego agora: Os bons sobrepõe com toda certeza do mundo os maus.


Até penso que o problema pode ser comigo, a minha grande indecisão, o que acabaria fazendo do meu ultimo dia a coisa mais melancólica que existe. Eu passaria o dia tentando decidir e no fim do fim, me culparia se tivesse faltado algo.

Acho que é por isso que a gente nunca sabe qual o nosso ultimo dia, para que tenhamos o privilégio de tentar a cada manhã fazer cada dia único e inesquecível. Ou melhor, todos os dias são "o ultimo dia". Todos os dias o mundo acaba pra gente, e a gente deixa pra trás uma porção de coisas inacabadas, principalmente dizeres. Queria que pudéssemos viver a cada dia como se não houvesse amanhã, assim amaríamos mais, seríamos mais felizes, mais sinceros, mais atenciosos... E a gente pode, só o que nos impede  somos nós mesmos!

Uma menininha que sabe que o seu ultimo dia vem mais cedo do que deveria, fez uma lista de desejos, e eu tentei pensar em algumas coisas também, apesar de morrer de medo de fazer listas, já que eu quase nunca consigo cumprir o que estabeleço nelas, :
  • Brincar mais com o João Vitor e com a Sarah;
  • Conversar mais com o Saulo;
  • Conhecer mais os meus outros irmãos;
  • Doar medula óssea;
  • Ter uma conversa séria com meu pai;
  • Viajar à Recife;
  • Ser mais amiga de algumas pessoas que são bem legais virtualmente;
  • Escrever sobre o meu projeto de Relações de Sociabilidade Virtual;
  • Sentar com todas os meus amigos de núcleos diferentes e ver que eles têm muita coisa em comum além da minha amizade ou que eles não tem nada em comum e eu sou uma pessoa versátil;
  • Conversar sobre pensamentos, filosofar com pessoas diversas, tentando compreender a visão de cada uma delas;
  • Reconhecer as mudanças que adotei e fazer um novo teste de personalidade, pra saber quem eu sou agora e quem é a pessoa que eu estou construindo.
  • Ter uma foto com cada pessoa que considero importante na minha vida.
Como a pequena Alice, talvez eu não realize todos, mas com certeza tentarei. Ah, precisarei de mais de um "fim do mundo diário" para realizar cada um desses itens.


O que não tem fim sempre acaba assim.

(per)seguidores

No Google+