quinta-feira, 7 de junho de 2012

O que você quer saber de verdade?



Vai sem direção. Vai ser livre. A tristeza não, não resiste. Solte seus cabelos ao vento, não olhe pra trás. Ouça o barulhinho que o tempo, no seu peito, faz. Faça sua dor dançar. Atenção para escutar esse movimento que traz paz: Cada folha que cair; Cada nuvem que passar; Ouve a terra respirar pelas portas e janelas das casas. Atenção para escutar o que você quer saber de verdade.

Essa é uma das lindas canções do novo trabalho da Marisa Monte. Desconsiderando todo o meu pensamento sobre "o que é verdade?", deixo um espaço para que vocês me façam perguntas (pode usar a opção anônimo, seus marotos!)
Aguardo-os.

Sobre amor e sexo.

"Uma vez ouvi (ou devo ter lido):
“Não desperdice a palavra amor”. O pedido vinha seguido de frases que o enfatizavam. Era um pedido cansado de alguém que deva ter se ferido muito – como eu já me feri, ou você, leitor.
Não desperdiçar a palavra amor… mas como? – pensei. O ser humano é rascunho de algo que ele nunca vai ser. É só um punhado de carbono lutando pra ser um punhado de carbono melhor e a imagem idealizada do amor nos torna isso. Tem gente que nunca encontrou e tem gente que acha que encontrou e está feliz assim.
Já o sexo… o grande vilão. É ele quem assume a culpa quando o amor não existiu. “Era só sexo?” – dizem as moças desconsoladas. “Era só sexo” – afirmam os garanhões que não têm coragem. O sexo tem cheiro de de menta, para encobrir o cheiro dos órgãos. E de morango, e de chocolate e de rosas… O sexo é o laranja do amor. Ele assume as consequências e protege o coração. É-SÓ-SEXO tem sido a frase mais ouvida nas grandes metrópoles. As pessoas estão cansadas de se ferir e ferir alguém e fazem SÓ-SEXO.
Desculpem-me os chorosos e decepcionados, os amargurados, os desacreditados, os de coração ferido e os frios. Mas devo me meter e dar meu bedelho: não desistam do amor e não desistam do sexo. Não são eles que os tornam vivos, mas a procura incessante de sua melhora. O amor constrói e o sexo mantém.
Não sofram, ou sofram um pouquinho sim. Porque no fim das contas, meus amigos, o coração é só mais uma parte do corpo, assim como uma boceta ou um pau. Lavou tá novo."
Leila Germano

sábado, 26 de maio de 2012

Nada contra


"Não tenho nada contra homofóbicos. Eu, inclusive, tenho muitos amigos que são. O problema é que tem uns homofóbicos escandalosos, que não conseguem ser discretos. Ficam dando pinta que não gostam de gay, sabe? Tudo bem ser uma pessoa rancorosa e preconceituosa, mas não em público. Entre quatro paredes e bem longe de mim, tudo bem. Nada contra mesmo.
É impressionante o quanto eles se acham no direito de ficar com pouca vergonha na frente de todo mundo. Outro dia ouvi um cara dizer, em plena luz do dia e para quem quisesse ouvir, que “gay é abusado, mexe com homem na rua mais do que homem mexe com mulher”. Acredita? Mas já vi e ouvi coisas piores. “Tenho nojo de homem se pegando” ou “essas menininhas que se beijam não são bissexuais coisa nenhuma, só querem chamar atenção dos homens” ou ainda “te sento a vara, moleque baitola”, e por aí vai. E se alguém critica, logo apelam para “ah, foi só uma piada” ou “é a minha liberdade de expressão” ou ainda “está na Bíblia”. O horror, o horror.


Ser homofóbico é uma opção, mas ninguém tem a obrigação de aceitar, né. É muito constrangedor ver alguém olhando feio para duas pessoas do mesmo sexo se beijando. Como eu vou explicar para os meus filhos que existe gente intolerante? O pior é que nem na escola as crianças estão a salvo. Querem ensinar nossos filhos a serem homofóbicos, imagina! Quando você percebe, já é tarde demais: uma amiga minha foi chamada pela diretora porque o filho foi pego espancando um colega no intervalo. Tudo porque o rapaz era gay. Minha amiga, coitada, não aguentou a decepção de ter um filho homofóbico. Ela diz que é só uma fase, que vai passar. Por garantia, levou o menino no psicólogo.
Acredite, homofobia tem cura. Soube de uns casos de conversão que parecem até milagre. Em um dia, a pessoa estava lá, odiando gays, militando contra o direito dos homossexuais ao casamento civil, fazendo marcha pela família e tudo o mais. Mas com um pouquinho de empatia e bom senso, eles começaram a ver que não tinham nada que se meter com a sexualidade dos outros. E como o respeito é todo-poderoso e misericordioso, os ex-homofóbicos viram que os gays eram boas pessoas e também mereciam os mesmos direitos. Hoje dão testemunho de tolerância.


Agora, tão preocupante quanto homofóbicos exibidos e sem-vergonha são aqueles que não se assumem. Aqueles que não saem do armário, que se fazem de pessoas normais e sem ódio no coração, mas que, no fundo, no fundo, também são fiscais de cu alheio. Pensa comigo: você sai com uma pessoa dessas, sem saber da opção de ignorância dela, e começam a pensar que você também é homofóbico, igual a ela. E todos sabemos que homofóbicos são abominações, ninguém quer ser confundido com um deles. Além disso, onde enfiar a cara quando eles resolverem se revelar e soltarem um “odeio viado” assim, do nada?

Oh você é contra os direitos do casamento entre homossexuais? Conte-me mais sobre como as escolhas deles afetam diretamente a sua vida.
Mas não me leve a mal. Não tenho nada contra os homofóbicos, apenas não concordo com a homofobia. Essa doença quase sempre vem acompanhada de outros preconceitos, como o machismo e o racismo. É um caminho sem volta. Fico triste de ver tantos jovens se perdendo nesse mundão de ódio gratuito. É por essas e outras que prefiro ter um filho gay a um filho homofóbico. Ah, você quer saber se eu vou aceitar e amar um filho que virar homofóbico? Como alguém já disse por aí, eles não vão correr esse risco; vão ser muito bem educados."

Aline Valek

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