quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

UFC

Dia 25 de janeiro, quase meia-noite. O som ligado, aquela música distante, o sono quase se apoderando totalmente de mim... De repente, aquela música que não vinha do rádio - tava escutando Atlântico Sul FM (103,9) - "Bad Romance", meu celular!

Atendi quase que automaticamente, pensando: "bem feito, quem manda dormir com o celular embaixo do travesseiro".
- Alô?
- Jéssica, tava dormindo?
- Não, tava não... Que foi?
- Jéssica, eu não passei no vestibular...

Olhei de quem era o número: uma das minhas amigas. Acordei de verdade.
-  Foi... Nossa... Que pena... já saiu hoje?
- Aham, algumas das meninas passaram, mas eu e outra não passamos...
- Xii... e tu viu a minha?
- (Silêncio)
- TU VIU SE EU PASSEI?
- É melhor tu ver...
- Tá... Vou ver agora...

Quando desliguei o celular, toda aquela esperança já tinha se perdido 80%. Abro a porta do quarto, o telefone da minha casa toca. É meia-noite, deve ser uma boa notícia, quase não consigo atender... Mas era só meu tio, do lado de fora, pedindo que abrissem o portão.

Fui pro computador, lógico que o site da UFC não abriu. Entrei no MSN pra ver se tinha alguém que tinha visto... Pessoas falaram comigo assim que entrei. Uns chateados porque não tinham passado outros contentes, pois haviam sido aprovados... E eu ali, na angústia, com meus 20% se perdendo a cada respiração...

- Já conseguiu ver Jéssica?
- Ainda não, tá congestionado.
- Quer que eu te fale? Ou tu quer ver?
- [1% de esperança encontrada] Eu quero ver.
- ARQUIVO UFC APROVADOS.pdf
- Eu não passei...
-Pois é...

[...]

Foi a sensação mais estranha da minha vida. Eu não tava triste, eu não tava feliz, eu tava VAZIA!
Continuei a ler a lista, reconheci alguns nomes... Era muito egoísmo meu ficar triste, tanta gente que eu conheço estava aprovada...

Só fui dormir lá pras duas horas da manhã... Não conseguia, as lágrimas caiam em silêncio. E na cabeça, pensamentos, emoções e sentimentos se misturavam. Mandei SMS pras pessoas que estavam esperando pelo resultado, que acreditaram, torceram por mim: minha mãe, meus tios e amigos.

No outro dia, minha mãe me deu colo, abraço, disse que eu não deveria desanimar, ir atrás... Fiquei deitada, as pessoas ligavam, minha vó atendia e contava de ontem - ela tava do meu lado no momento que recebi a notícia.

Fui à casa das minhas amigas, parabenizá-las... Uma delas disse que tava com medo de falar comigo, porque eu disse que se não tivesse passado, não queria ver ninguém, não queria nada... Mas até que me saí bem. Mas mesmo assim tive que lidar com os comentários da minha avó sobre como outras pessoas acordavam às 4h pra estudar...

Vi meu resultado individual, 116. Subi 78 posições, mas ainda assim, não foi o suficiente. Minhas notas todas acima da média, mas ainda assim, não foi o suficiente... Ah, chorei muito, muito mesmo. Liguei pro povo chorando, tentei falar com as pessoas, mas não saía nada... Minha mãe veio me acalentar, ficou comigo, conversamos... as coisas foram se acalmando e eu fui dormir... Ah, mãe da gente é um caso sério né? As pessoas me mandaram mensagens de motivação e eu fui entendendo as etapas da vida e aceitando o tempo de Deus.
Quem estava vivo viu.

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