domingo, 27 de novembro de 2011

ainda Levi e agora também Sofia.

primeira parte

O tempo passou.
 Levi conheceu melhor as moças da cidade e elas gostaram muito de conhecê-lo melhor. Samuel já era "amigo" de muitas, o que facilitou a cicatrização da ferida feita por Gabi.
Julia não estava mais com Mateus e as tardes no tapete eram mais divertidas.
Mesmo sendo de séries diferentes, Levi era dois anos mais velho que ela e estava vivendo a tensão de estar no cursinho, ele preferia estar ali, com  "a garota do segundo ano", como seus amigos se referiam a ela, do que na biblioteca estudando.
Com Julia tudo era leve, até a gramática. Rolava uma química boa, ela sabia de literatura e tinha muitas histórias pra contar. Levi era muito bom em matemática e física, e ali, no espaço geográfico deles tudo corria bem.
No fim do ano, com o resultado do vestibular e os novos ares, Levi mudou muito. A Universidade tem esse dom, de trazer uma liberdade nova para as pessoas, nem todos sabem lidar com o peso da liberdade, Levi soube, ainda bem.
Ele continuou indo visitar Julia, mas não com tanta frequência,  afinal ser estudante de engenharia não é tão simples. Ele sempre achou que difícil era entrar na universidade, mas percebeu que a dificuldade mesmo se dá em sair de lá.
Enfim, as tardes no tapete do ano que chegou não foram tão agradáveis. 
Júlia estava nervosa e insegura demais com o vestibular, ela não queria mais deitar e ouvir música, só queria tirar dúvida de geometria espacial e analítica. Afinal, relações internacionais é um curso bastante concorrido. Levi não conseguia entender como uma menina  "tão certa de si", como dizia Samuel, conseguia ser tão insegura. Era isso que mais atraia e ao mesmo tempo afastava ele de Julia, suas contradições.
Como as tensões foram aumentando, ele achou melhor não ir mais à casa dela, aproveitar só o que eles tinham de melhor. Raramente eles se encontravam em uma festinha, vez ou outra Samuel dizia que eles iam estudar em grupo... Levi pedia, mentalmente, que Samuel pudesse passar essa tranquilidade dele para ela, vai que ela voltava a ser como antes...
Levi fez novos amigos e conheceu novas garotas. Ele deixou de ir com frequência as festinhas do antigo colégio e passou mais tempo na faculdade, não necessariamente estudando.
Levi conheceu Sofia. Ela não era da Engenharia, era do Serviço Social. Ele ficou encantado com ela e logo se envolveram de uma forma que ele não conseguia explicar.
Ele adorava o jeito como ela lidava com a liberdade universitária, como ela se posicionava diante das situações que tinham que enfrentar, como ela era ativa, não ficava só nos discursos. Gostava da compulsão dela por leitura, por literatura clássica, moderna, quadrinhos, revistas. Ela era realmente sábia.
Esse primeiro ano universitário se passou muito rápido, ele percebeu que não se aprende só o que está na sala de aula, mas principalmente no que tem ao redor e ele aprendeu muita coisa com Sofia. 
Sofia era livre demais e ele tinha medo disso. 
As vezes se sentia tradicional demais perto dela, as vezes sentia falta das coisas com legendas, dos is pingados, dos rótulos. 
Sofia não, ela não queria isso. Ela gostava dele, ela era querida por seus amigos e pelos amigos dele. A mãe de Levi já fazia bolo ou um almoço especial quando ela ia visitá-los e Samuel, recém passado em fisioterapia, ficava calado, o que era bem raro, ao vê-la defender seu ponto de vista.
Levi era apaixonado por Sofia, queria que todos soubessem, queria que ela fosse só dele, mas ela não queria isso. 
Sofia não queria ser propriedade de ninguém, não queria aprisionar corações. Ela se divertia com ele, ela achava sensacional aquela família que também não iludia seus filhos com histórias de papai noel ou coelho da páscoa. Ela acha incrível como alguém na engenharia, um dos cursos mais bem pagos do país, tinha uma consciência política como a de Levi. Ela ficava encantada quando ele utilizava sua capacidade de oratória na hora certa, mas ela não queria ser a "namorada" dele. Do jeito que tava, tava bom demais. 
Eles estavam juntos às segundas e quartas pela noite, no francês, onde se conheceram há um ano atrás, ele podia levá-la para dormir na casa dele quando fosse o caso e eles sempre passavam a tarde de sábado juntos, exceto no final do semestre. Pra quê colocar uma coleira de "namorado" no pescoço do rapaz?
Suas amigas falavam:
- Pra que essa mania de liberdade Sofia? Esse excesso vai te matar! Se tu não fechar logo essa gaiola, enquanto ele quer, ele voa viu?!
- Deixe que voe, não é o Lennon que diz que se voltar é porque o conquistei. Se não voltar é porque nunca o possuí?!
- Meu Deus, menina! Quando tu vai arrumar uma menino igual ao Levi?
- Hahaha, desde quando as pessoas são iguais Amanda? E desde quando você acredita em Deus?
E a conversa se perdia no meio da confusão da cabeça delas...
Enquanto isso, Levi sofria. Não sabia se deveria pressioná-la, não sabia se deveria aproveitar essa liberdade ou se viveria só o hoje e deixaria o amanhã cuidar do amanhã, como ela costumava dizer em sussurros ao seu ouvido.
Em uma das tardes de sábado que ficou em casa, pois Sofia havia viajado à um congresso, Levi resolveu ir com Samuel, depois de muita insistência do mesmo, ao aniversário de uma de suas amigas. Samuel, desde que entrou na universidade não encontrava a turma e seria um evento ótimo para reunir tanto a turma de Samuel quanto a de Levi. Lá reencontraram amigos e conversaram bastante, até o sol amanhecer, sobre como cada um havia caminhado na vida. Julia ficou super feliz em encontrar Levi, depois de tanto tempo. Encontrava sempre com Samuel no Restaurante Universitário.
- Levi!
- Oi Julia e ai?
Ela foi mais rápida do que ele imaginava, veio em sua direção e lhe aplicou um abraço apertado. O perfume dos seus cabelos subiu até o nariz dele, junto com a recordação do passado, e um sorriso fugiu de seus lábios.
Todo tempo que havia ocorrido desde a ultima visita de Levi à casa de Julia havia sido extinto no abraço. Ele conseguia sentir o coração dela bater bem forte e a pulsação dos dois corações se confundiam.

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